Selinho clubinho da costura

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Relatos de uma competidora


Como eu já tinha comentado aqui, na semana passada a coluna Alinhavando Ideias ficou fora do ar porque eu estava em São Paulo em uma competição na área de confecção. Foram 20 estados competindo em 4 dias de provas.

Após 4 peças de roupas costuradas, não veio nenhuma medalha. Eu entendo, pois além dessas provas terem sido muito difíceis para mim, havia a pressão por trás de representar um estado. Posso dizer que em quatro dias eu senti todas as emoções possíveis, desde chorar litros por não conseguir terminar uma peça até rir descontroladamente por causa de uma máquina de café. Tudo junto, tudo ali. Cada momento era único e eu não teria uma oportunidade como aquela novamente.

O primeiro dia foi o mais difícil. Tive problemas com algumas máquinas de costura, já que em muitas delas eu não tinha prática. Me frustrei muito ao finalizar a peça e ver erros que nunca havia cometido enquanto estudava para essa competição. Chorei muito, sou emotiva demais, sempre coloco coração na frente da razão. Sempre antes. Acho até que gosto dessa transparência e costumo desconfiar de quem é muito frio.


O segundo dia também foi ruim. Foi o dia em que eu não terminei o trabalho proposto, o que significou a perda de muitos e muitos pontos. Tínhamos seis horas para fazer os moldes e confeccionar a peça. Faltou tempo, quis fazer tudo muito perfeito. Neste dia eu comecei a achar que a medalha não era para ser minha (e eu tinha razão). Mas fui até o último minuto, apesar de pensar muitas vezes em desistir.

Dentre os dias, o terceiro foi o mais instigante. A prova só aconteceria no período da tarde e pela manhã eu fiquei costurando em um stand que eu gosto muito, fechando bolsas que seriam entregues de brinde. Foi uma manhã deliciosa. Estava onde queria estar, pensando naquilo que queria pensar, rindo à toa mesmo, cercada de pessoas bacanas e que eram de longe muito mais experientes que eu e que, mesmo assim, me deixaram ficar por perto, imaginando como seria ser como eles e saber tudo que eles sabiam. Mas no período da tarde me deparei com desafios que nunca havia encarado antes e que agora precisavam ser executados. No final da prova, uma das pessoas que passaram a manhã comigo no stand veio ao meu posto de trabalho e então, apesar de tudo, entendi como as pessoas podem ser generosas e como é importante estarmos adequados àquilo que gostamos de fazer.

Digo isso de fazermos aquilo que amamos porque trabalho com criação e desenvolvimento e não na área de produção de uma grande empresa, onde o mais importante é a velocidade das tarefas. É como colocar um artista em um escritório. Ele se frustra e o chefe também, mas não porque ele não saiba fazer o trabalho, mas sim porque está em um ofício que não valoriza o seu potencial. Eu me sentia um peixe fora d´ água. Não queria provar que podia fazer mais rápido. Queria me deliciar sabendo que podia criar a peça.

E então chegou o último dia. Minhas esperanças de ganhar a medalha tinham escorrido pelas minhas mãos e eu só queria ir embora. Queria minha casa, meu emprego, minhas máquinas de costura, meu blog, meus rascunhos. Costurei a última peça até o fim, pois havia prometido a uma professora que gosto muito que não desistiria em nenhum momento.

Hoje, as pessoas estão me perguntando como foi a experiência e   agora eu quero dividir com vocês algumas lições que aprendi nessa competição:

- Quem é treinado para fazer A, vai fazer A. Certifique-se de que se foi solicitado B, você saiba fazer. Isso é competência de verdade.
- Somos humanos, temos o direito de errar. Mesmo os mais experientes erram. E precisamos aprender a nos perdoar, para seguir em frente. Podemos não ser perfeitos, mas sempre podemos melhorar.
- Não se espelhe na maioria. Ela não é modelo de sucesso.
- Até um pé na bunda te empurra para frente (dito por um avaliador muito bacana!)
Acredite sempre, sempre e sempre em você, no seu trabalho e naquilo que você é. Deixe a sua marca por onde passar.
Abraços são deliciosos quando não queremos falar nada. Abrace ilimitadamente.
A nossa máquina de costura é a melhor do mundo. Mesmo que tenha mil anos. Sabemos as manhas, como a linha deve passar, com que força pisar. Cuide delas.
- Se você acha que os acabamentos devem ser perfeitos, separe um tempo a mais para a costura. Perfeição requer paciência, e já dizia o ditado “a pressa é inimiga da perfeição”.
-  Muitos acreditam e torcem para que as suas coisas dêem certo. Faça o mesmo.

"Todo o caminho da gente é resvaloso. Mas também, cair não prejudica demais - a gente levanta, a gente sobe, a gente volta!... O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem" (João Guimarães Rosa)

Débi

21 comentários:

Calíope Corrêa on 22 de novembro de 2012 12:57 disse...

Que lindo Débi, obrigada por dividir com a gente seu relato! ^^

Teresa Aparecida de Aquino Soranso on 22 de novembro de 2012 13:22 disse...

Parabéns pela força e coragem, menina! A vida é feita de momentos bons e ruins, o legal é aprendermos sempre! Bjs e tenha um lindo dia!

Helena e Dayse on 22 de novembro de 2012 13:25 disse...

Oi querida!!
Antes de mais nada parabéns por não ter desistido.
Corajosa!!!!
Toda experiencia sempre vale a pena.
Seu relato vou emocionante.
Obrigada por dividir !!
Deus abençoe muito.
Bjuss

Toca do trico e croche on 22 de novembro de 2012 13:50 disse...

Minha flor...
o que importa é que você fez o seu melhor...e o que interessa é que viemos pra este mundo para nos tornarmos seres melhores... estamos aí...para aprender... APRENDER SEMPRE !!!


Um grande abraço !!

Sonia Faria

Marta Andrade on 22 de novembro de 2012 13:51 disse...

Debi
Bravo, bravíssimo!
Não vou elogiar ou ressaltar sua proeza "não é necessário" tenho certeza que sua alma de artista esta realizada e quando chegou em casa e viu sua máquina, encontrou seu reino. mas esse texto é um dos mais lindos que li nesses últimos anos( e olha que eu leio), deveria circular como correntes e pousar em muitas cabiceiras...
... só acho que o título deveria ser " Relatos de uma campeã"
Cut beijos

Di Rodrigues on 22 de novembro de 2012 14:55 disse...

Não é nada fácil a gente se perdoar.
Adorei seu relato.
Bjs.

Regina on 22 de novembro de 2012 16:24 disse...

Quanto aprendizado em quatro dias,tem gente que leva uma vida inteira e nunca entende,que as vezes precisamos dar um passo atrás ,para podermos prosseguir!!!
Parabéns esse é o caminho^^
Abraço=)

Eu que fiz... ou quase isso on 22 de novembro de 2012 17:04 disse...

Nossa Débi que depoimento, nem sabia que era seu!! bom nem vou dizer para vc não ficar frustada pq acho que isso ja vai passar mesmo, vc ja ganhou um prêmio eu lembro disso e vai ganhar muitos outros, do tipo, obrigada por esta costura ela esta perfeita, vejo que tudo que vc faz, faz com Amor, não sera diferente o seu respaudo.

Bjs


Gélia

Clau Ibiapino on 22 de novembro de 2012 17:34 disse...

Admiro pessoas que além dos seus sucessos contam seus inssucessos, obrigada Débi por compartilhar isso conosco.

Doces e Mimos Artes on 22 de novembro de 2012 19:34 disse...

Débi querida....

Quando chegamos perto dos enta na vida, aprendemos a ver sempre os dois lados da situação... este seu relato é o da competição, das durezas desse processo... mas tem o outro amiga: da guerreira, que superou a dor da luta e seguiu em frente.... da persistente, que mesmo sabendo da derrota da medalha, persistiu até o fim no objetivo do seu inicio! Parabéns querida! A medalha nem sempre é a que recebemos e penduramos em algum lugar... a vitória é saber que a dificuldade faz parte dos grandes ensinamentos!!! Comemore! Você se superou! E isso é muito mais do que vitória... é lição de vida!!!!
Beijinhos...

Silvana on 22 de novembro de 2012 20:24 disse...

Oi querida, parabéns pela garra e determinação. Qd comecei a ler seu post me deparei com uma frase que dizia tudo: " Cada momento era único e eu não teria uma oportunidade como aquela novamente.Outras oportunidades viram e passaram, pois viver é único e vc provou que é capaz de enfrentar grandes desafios e sair inteira e renovada deles, isto é que é vencer.


PATRICIA LOPES TITO on 22 de novembro de 2012 22:05 disse...

BOA NOITE QUERIDA, GOSTEI MUITO DAS SUAS PALAVRAS, ME ENCAIXE PERFEITAMENTE EM ALGUNS MOMENTOS, EM TUDO QUE VOCÊ ESCREVEU. PARABÉNS VOCÊ JÁ É UMA VENCEDORA SÓ POR PENSAR COM TANTA GARRA E DETERMINAÇÃO.AS VEZES É PERDENDO QUE SE GANHA, ESTRANHO NÉ, POIS É ACREDITE.
PARABÉNS, GOSTO MUITO DE VISITAR SEU SITE, TEM SEMPRE COISAS LINDAS E INTERESSANTES.
FICA NA PAZ...
BJS....

PATRICIA LOPES TITO on 22 de novembro de 2012 22:06 disse...

ESQUECI, O SELINHO JÁ ESTA NO MEU BLOG.
BJS....

VANDA on 23 de novembro de 2012 00:32 disse...

Que linda!! Parabens, por ter tentado e ter finalizado com esse lindo aprendizado. Beijinhos no coracao!!!

www.artesanatoporpaixao.blogspot.com

amelia farah on 23 de novembro de 2012 12:39 disse...

Olá Debi, parabens, voce foi uma grande competidora e acredito que vencedora devido a tudo que aprendeu e compartilhou. perfeito.
bjos

Artesanatos e Mimos on 23 de novembro de 2012 15:21 disse...

Ola Calíope...acho voce vencedora em todos os aspectos,pois a cada post eu acredito mais em voce!!uma vencedora e merecedora de toda admiração e carinho!!um bom fim de semana!!
Monica

Calíope Corrêa on 23 de novembro de 2012 16:08 disse...

Oi Monica, essa postagem linda foi da Débi querida!

karen Disley on 25 de novembro de 2012 12:54 disse...

OI DEBI,
QUERIDA QUANTA EMOÇÃO NESSA MATÉRIA, PARABÉSNS ISSO SIM É VENCER, ENFRENTAR OS DESAFIOS E NÃO DEISITIR, TIRAR LIÇÕES VALIOSAS DE CADA MOMENTO E AINDA MAIS PASSAR ADIANTE, DIVIDIR CONOSCO SEU APRENDIZADO.PRA MIM VC É UMA VENCEDORA, E SENTI ORGULHO DE VC AO LER ESSE DEPOIMENTO.
MUITO SUCESSO!
BEIJOS!
KÁREN

Sara Caroline Casas on 25 de novembro de 2012 21:17 disse...

Adorei o Post! Estava precisando das suas palavras! Agradecida...

Atelier Sonho e Magia Marina on 3 de fevereiro de 2013 01:31 disse...

Eu sou sonhadora, lutadora, persistente e criativa. Mas mesmo tempo perfeccionista e, por razões de saúde, extremamente emotiva. Quando me proponho a fazer uma coisa, faço com toda dedicação, mesmo que no meio do caminho eu pare, sente e chore copiosamente... Depois levanto, seco as lágrimas e continuo o trabalho. Falo isso no sentido real da palavra. E amo o que faço, amo o artesanato. O desafio dos balões será minha estréia na costura: vou fazê-lo com todo amor e perfeição que conseguir. Concluí-lo será uma vitória enorme, que me dará a direção de por onde vou ampliar meu artesanato!
Abraços fraternos, Marina - Atelier Sonho e Magia

Denise Lemos on 5 de fevereiro de 2013 09:38 disse...

Vim conhecer.... ADOREI..... e já estou te seguindo......
www.portodasreliquias.com

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